Mindfulness pode ajudar a lidar com a ansiedade?
Pode ajudar bastante, mas depende da forma como trabalhamos a nossa relação com essa sensação.
Muitas vezes, quando sentimos ansiedade, a primeira reação é querer afastá-la, controlá-la ou eliminá-la. No entanto, essa resistência pode acabar por aumentar ainda mais o desconforto.
O mindfulness propõe outro caminho: aprender a reconhecer a ansiedade, observar como ela se manifesta no corpo e na mente, e diminuir gradualmente a luta contra aquilo que estamos a sentir. Isto requer prática, orientação, conhecimento e tempo.
O que é a ansiedade?
A ansiedade é uma resposta natural do nosso organismo. Faz parte da experiência humana e, em muitos momentos, pode até ter uma função de proteção.
O problema surge quando a ansiedade se torna demasiado intensa, frequente ou difícil de gerir, interferindo no nosso dia a dia.
Normalmente associamos a ansiedade a algo negativo. Pensamos que não devíamos senti-la, que há algo errado connosco ou que precisamos de a eliminar rapidamente. Mas esta reação é compreensível: o ser humano tende a afastar aquilo que interpreta como desconfortável ou ameaçador.
No entanto, também podemos sentir ansiedade perante acontecimentos positivos. Por exemplo, antes de uma viagem, de um encontro importante ou de algo que desejamos muito. Isto mostra-nos que a ansiedade, por si só, não é necessariamente “o problema”. Muitas vezes, o que muda é a forma como a interpretamos e como nos relacionamos com ela.
Como o mindfulness pode ajudar?
Muitas vezes a ansiedade está ligada à antecipação. A mente projeta-se no futuro: no que pode acontecer, no que pode correr mal, no que ainda falta resolver.
O mindfulness, enquanto prática de atenção ao momento presente, ajuda-nos a interromper esse ciclo de antecipação. Não porque força os pensamentos a desaparecerem, mas porque nos ensina a observá-los sem ficarmos tão presos a eles.
Quando trazemos a atenção para o corpo, para a respiração ou para aquilo que está a acontecer agora, começamos a criar uma relação diferente com a ansiedade. Em vez de estarmos completamente envolvidos nos pensamentos sobre o futuro, passamos a reconhecer: “isto é ansiedade”, “isto é uma sensação no corpo”, “isto é um pensamento”.
Essa mudança pode parecer simples, mas com treino vai fortalecendo a capacidade de responder em vez de reagir automaticamente.
Mindfulness não é eliminar a ansiedade?
Mindfulness não serve para eliminar a ansiedade. Aliás, tentar eliminar completamente a ansiedade seria como tentar nunca mais sentir tristeza, medo ou alegria.
A proposta não é deixar de sentir, mas aprender a estar com aquilo que sentimos de outra forma.
Em vez de perguntar “como me livro disto?”, podemos começar a perguntar: “como estou a relacionar-me com isto?”. Estou a lutar contra a ansiedade? Estou a julgá-la? Estou a alimentar pensamentos que aumentam o medo? Consigo observá-la com um pouco mais de espaço?
Esta relação de proximidade e observação é trabalhada, por exemplo, no programa MBCT de 8 semanas, onde a prática é feita de forma gradual, estruturada e acompanhada.
Quando procurar acompanhamento?
Embora o mindfulness possa ser uma ajuda importante, nem sempre é suficiente por si só.
Quando a ansiedade interfere muito com o sono, o trabalho, as relações ou a qualidade de vida, pode ser importante procurar acompanhamento psicológico ou outro apoio especializado.
O mindfulness não substitui esse acompanhamento, mas pode complementar o processo, ajudando a desenvolver mais consciência, autorregulação e capacidade de estar presente.
Conclusão
Sim, o mindfulness pode ajudar na ansiedade. Mas não porque elimina aquilo que sentimos.
Ajuda porque nos ensina a observar a ansiedade de forma diferente, com menos resistência e mais consciência. Com prática, podemos deixar de viver tão presos à antecipação e começar a regressar, com mais frequência, ao momento presente.
Se sente que a ansiedade tem tido demasiado espaço no seu dia a dia, pode conhecer aqui o programa MBCT online.
